Beethoven por Kundera

Em A Arte do Romance [p. 83-84, Nova Fronteira, 1986], Milan Kundera expõe o Quarteto de Cordas opus 131 de Beethoven:

Primeiro movimento: lento; forma de fuga; 7′21′’
Segundo movimento: rápido; forma inclassificável; 3′26′’
Terceiro movimento: lento; simples exposição de um só tema; 51′’
Quarto movimento: lento e rápido; forma de variações; 13′48′’
Quinto movimento: muito rápido; scherzo; 5′35′’
Sexto movimento: muito lento; simples exposição de um só tema; 1′58′’
Sétimo movimento: rápido; forma-sonata; 6′30′’

Depois, ele comenta:

“O quarteto op.131 é o auge da perfeição arquitetônica. Não quero chamar sua atenção senão a respeito de um só detalhe do qual já falamos: a diversidade das durações. O terceiro movimento é quinze vezes mais curto que o movimento seguinte! E são precisamente os dois movimentos tão estranhamente curtos (o terceiro e o sexto) que reúnem, mantêm juntas essas sete partes tão diversas! Se todas as partes fossem mais ou menos da mesma duração, a unidade desabaria.”

Duanne Ribeiro é jornalista, escritor e pesquisador em ciência da informação e filosofia. Em jornalismo, formou-se pela Universidade Santa Cecília (Unisanta). É mestre em Ciência da Informação — com a dissertação “A Criatividade do Excesso – Historicidade, Conceito e Produtividade da Sobrecarga de Informação” —, bacharel em Filosofia pela Universidade de São Paulo e especializado em Gestão de Projetos Culturais pelo Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação (Celacc), ligado à USP. Publicou, pela editora Patuá, o romance As Esferas do Dragão (2019). É analista de comunicação para o Itaú Cultural e editor da revista Úrsula.
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