Crítica Cultural

Evangelion

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-Neon-Genesis-

Publiquei no Digestivo Cultural a crítica Neon Genesis Evangelion, sobre a série de animação japonesa e mangá com esse título. Eu escrevi:

Desde outubro, o mangá Neon Genesis Evangelion está sendo republicado pela editora JBC – é a chance de conhecer ou redescobrir uma das franquias mais relevantes dos quadrinhos e da animação japonesa. No Japão, a HQ foi lançada em fevereiro de 1995, como um modo de divulgar sua versão em animação, e ainda não foi concluída. O anime, exibido a partir de outubro daquele ano e encerrado em 1996, alcançou sucesso e repercussão; em 2007, foi considerado por uma agência do Ministério de Educação japonês como o melhor de todos os tempos. A série pode ser comparada a Sandman, de Neil Gaiman; Watchmen, de Alan Moore; ou Cavaleiro das Trevas, de Frank Miller – na medida em que também representa um salto de maturidade dentro de seu gênero.

Crítica Cultural

O Médico e o Monstro

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Dexter_Morgan

Publiquei no Digestivo Cultural a crítica Dexter Versus House, uma crítica com recursos de conto, um conto com recursos de crítica. Um “conto-crítica”, como eu chamei, que narra um encontro entre os protagonistas das séries DexterHouse, enquanto as analisa. Eu escrevi:

Pode-se dizer que o conceito central de Dexter é controle; e o de Houseanomalia – não só no âmbito restrito do enredo e dos temas citados. É tanto mais interessante perceber tais elementos no modo como as séries retratam os relacionamentos humanos.

A imagem que ilustra esse post, eu a descobri só recentemente — me alegra: é a mesma inspiração.
Crítica Cultural

Um Filme Sérvio

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A-Serbian-Film-Terror

Publiquei no Digestivo Cultural a crítica A Serbian Film: Indefensável?, sobre o polêmico filme de horror proibido não só em território nacional como em outros países. Eu escrevi:

A Serbian Film teve sua exibição proibida em território nacional em 9 de agosto. A Justiça Federal decidiu-se pela censura porque o filme “simula a participação de recém-nascido em cena de sexo”, assim como contém cenas de “sexo explícito, crueldade, elogio/banalização da violência, necrofilia, tortura, suicídio, mutilação, agressão”. Espanha, Suécia e Finlândia seguiram o mesmo caminho. A decisão ao mesmo tempo diz o que podemos assistir e o que pode ser abordado pela expressão artística. É correto que haja esse limite?

Crítica Cultural

Elizabeth Bishop e o Brasil

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um-porto-para-elizabeth-bishop

Publiquei no Digestivo Cultural a crítica O que este país tão longe ao sul tem a oferecer, sobre a peça Um Porto para Elizabeth Bishop, com direção de José Possi Neto e atuação de Regina Braga. Eu escrevi:

Regina interpreta uma Bishop frágil, desejosa de atenção, que vê o mundo com ironia ou fascínio, recortada por momentos de autoconfiança e lucidez. Não sei o quanto isso se aproxima da poeta ou o quanto se harmoniza com sua obra, mas essa é a impressão que se pode ter: menos de alguém a um tempo forte e débil e mais de alguém que sabe ou pressente que a força comporta fraqueza e vice-versa. De algum modo, as coisas se desfazem e o que sobra é o indivíduo, menos e mais do que era. É essa a mulher que se encanta pelo Brasil.

Texto em duas partes, na segunda ele se foca na conjuntura brasileira atual, mais precisamente na pergunta: por que nossa percepção do País é subalterna independente dos desenvolvimentos recentes e da visão internacional? As referências usadas são exemplos entre outros; essa mesma ideia poderia ser ilustradas de vários modos. Traga aos comentários suas divergências.
Crítica Cultural

Cohen, Racionais, Dance of Days, Smiths

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smithshatful

Publiquei no Digestivo Cultural a crítica Frases que soubessem tudo sobre mim, uma seleção de quatro dos álbuns mais marcantes para mim. Fez parte do especial Discoteca Básica. Eu escrevi:

O que acima de tudo me marca nas músicas são as letras. Os versos me traduzem para mim mesmo, me deixam no limiar da palavra, como diria talvez Bachelard. O estilo está um grau abaixo disso – se tenho preferências por certo uso de instrumental ou outro, se desgosto de algum gênero, essas distâncias podem ser abolidas por uma única frase que me atinja. Foi sem querer que eu pensei ser capaz de atravessar o céu em frases que soubessem tudo sobre mim, cantam – foi sem querer, continuo, intersubjetivo.

Crítica Cultural

Como se Faz Fantasia

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Yggdrasil

Publiquei no Digestivo Cultural a crítica A Fantasia Verossímil, ou: Thor, abordando nem tanto o filme, mas sim quais os seus elementos que nos permitem explorar como histórias de fantasia são criadas — quais suas balizas, suas condições de possibilidade. Eu escrevi:

A fantasia é algo que funciona apenas como um sistema restrito de coerências, dependente de um público. (…) A fantasia atrai para que o leitor crie a fantasia. Pelo que somos atraídos, levando em conta Thor? Por um divino que seja menos transcendente; por uma visão de governo e ciência como insondáveis. Há de se ver ecos disso em diferentes âmbitos da sociedade.

Escrevi sobre Thor também em outra oportunidade, com foco no debate em que a película foi envolvida e que tratava de racismo e ação afirmativa.

Crítica Cultural

Racismo (?) e Cinema

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ThorPubliquei no Digestivo Cultural o artigo Ação Afirmativa, Injustiça Insuspeita, sobre o imbróglio em torno de Thor, pelo filme ter elencado um ator negro para o papel de um dos deuses de Asgard. Tentei fugir das definições mais enrijecidas do que é racismo ou não e sugerir uma análise caso a caso. Eu escrevi:

Os conservadores acertam quando falam de insulto. Considere um orixá branco aparecendo improvável em uma adaptação de Jorge Amado. Guardadas as diferenças históricas citadas, soa como se algo muito próprio de alguém tivesse sido roubado. O povo ancestral de quem surgiu essas crenças acreditava em deuses que lhe eram semelhantes. Tolo quanto possa parecer, pouco relacionados aos nórdicos quanto possam ser, é justo que esses americanos se sintam ofendidos. Se enxergamos racismo incrustrado na mídia pela onipresença branca, é porque entendemos que esse povo está espoliado de algo que é importante. Se queremos que haja liberdade de culto e reconhecimento para o candomblé e a umbanda, é pelo cárater único dessa cultura. Há algo na mitologia nórdica a que alguém possa se referir orgulhoso, e esse alguém não quer que isso seja transfigurado de qualquer forma.