Gogol Acumulador

[Almas Mortas, Nikolai Gogol, páginas 146-150, Nova Cultural, 2003] Encontrei um acumulador no Gogol (fica a dica para a Discovery): “Tchítchicov entrou no vestíbulo amplo e escuro, do qual soprava um bafo frio, como dum porão. Do vestíbulo, passou para um aposento, também escuro, parcamente iluminado por uma luz que se filtrava através duma larga […]

Bem-te-vi que come carne

“Aqui é bom, né?”, diz este senhor parecido com o cientista do De Volta para o Futuro, se referindo ao banco de praça ao lado do ponto de ônibus e em frente às árvores e o gramado extenso. “Caralho”, exclama, do nada. Senta meio de lado, olha a distância. “Você está aqui há muito tempo?” […]

8
set

[Azure Dreams (1998), Playstation] “Você fez bem: é um menino”. Sou surpreendido por essa expressão do machismo logo no primeiro diálogo. (Embora alguém possa me dizer que essa é uma crítica anacrônica, dada a inspiração medieval do jogo). Não há opção de jogar como menina.

Por que você não é feliz?

Falava sozinha, encostada à porta do metrô. Encarnava um personagem autoritário, antipático e prepotente, um psicólogo que “estudou muito antes de abrir a boquinha”, que tagarelava sobre eficiência, “missão”, “honraria”, “servir à nação”. O psicólogo disse: “A minha aula foi ruim? Ou foi perfeita?”. O psicólogo disse: “A minha aula foi errada ou foi certíssima?”. […]

O Título Deste Post É

[O Nome Deste Livro é Segredo, Pseudonymous Bosch] O estúdio Laboratório Secreto fez uma das melhores, senão a melhor, capa para este livro. A transparência em “segredo” faz a palavra desaparecer quando há pouca luz, dificulta a leitura de acordo com o ângulo e distância. A edição brasileira incorpora o mistério; os recuos do narrador quanto ao que contar e ao […]

16
ago

[Piratas do Tietê – A Saga Completa, volume 3, pg. 110, Devir Editora. Arte e roteiros de Laerte, edição e projeto gráfico de Toninho Mendes] Laerte encontra Fernando Pessoa: hordas bêbadas de poesia avançam contra a galera dos Piratas do Tietê gritando versos: “Deus está morto-vivo! A civilização gagueja!”.

Escritores, Esses Mussolinis

[O Nome Desse Livro é Segredo, Pseudonymous Bosch, pg.119] “Um fato pouco conhecido sobre Mussolini é que ele também era um romancista. Para mim, isso faz todo sentido. O escritor de um romance é como o ditador do romance; ele faz com que todas as personagens façam exatamente o que ele quer que façam, e digam […]

11
ago

[Vandal Hearts (1997), Playstation] Uma referência a O Mágico de Oz (1939), de Victor Fleming. Os personagens são engolidos por um vórtice que esgarça o “tecido do espaço-tempo” (o vocabulário é anacrônico dentro da ambientação medieval do jogo), caem em outra dimensão e fazem esse comentário de efeito (impossível para eles, mas o roteirista pôs assim mesmo). […]

Juraci, e o seu?

“O que é esse livro aí, antropologia, psicologia?”, diz o senhor que senta ao meu lado no ônibus; eu respondo: “Filosofia”. Ele: “Ah! Filosofia. Eu tenho mais de cem livros de filosofia. Sabe qual foi o maior filósofo? Não foi Sócrates, nem Platão, nem Aristóteles, nem Diógenes” — e me mostra uma edição de “Ecce […]