“Instante”, em Bergson e Bachelard

Descrição de Hilton Japiassu em Introdução ao Pensamento Epistemológico (1986), p. 68:

Bachelard retoma a idéia que Bergson se fazia do instante. Este concebia o ser como devir, como duração. A duração era a única realidade (substância) verdadeira. A duração humana é continuidade. Temos dela uma experiência íntima e direta. Assim, somos a cada instante a condensação da história que vivemos. Não há esquecimento absoluto. Não há ruptura em nossa vida: o presente é repleto do passado e “prenhe” do futuro. Todas as lembranças são conservadas.

Para Bachelard, o instante é algo inteiramente diferente. Ele é trágico, pois só pode renascer com a condição de morrer. O instante já é solidão, que nos isola de nós mesmo e dos outros, pois rompe com o nosso passado mais caro. E o tempo é a consciência dessa solidão. Donde a coragem impor-se como a necessidade de luta contra a solidão. É assim que temos acesso aos homens às coisas. Nós somos nossa decisão. Nossos valores se inscrevem no término de uma ação pela qual nós fazemos os instantes que vivemos, quer dizer, nosso tempo. Devemos nos definir pela tendência que tivermos de nos ultrapassar e de nos transformar. Dois caminhos se apresentam: de um lado, a ciência e a técnica vencem a solidão criando um prolongamento de nós mesmos e uma sociedade; do outro, a poesia e a imaginação libertam-nos da servidão da história e das referências da memória, para fazer-nos descobrir homens e coisas. O homem é ao mesmo tempo Razão e Imaginação. Não há ecletismo, mas dualismo ascético.

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