“A Fabricação da Ciência”, Alan Chalmers

Leitura em atualização 

Prólogo

[a fazer]

Capítulo 1 – A Política da Filosofia da Ciência

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Capítulo 2 – Contra o Método Universal

Refutação de três pontos de vista que procuram definir o que é a prática científica e determinar a fronteira entre a ciência e a não-ciência. Em primeiro lugar, discute as posições que se fundam em uma análise da natureza humana. Nesse sentido o argumento é que não há como definir uma natureza humana através das variações históricas e culturais; além disso, as tentativas racionalistas e empiristas que seguiram essa via se mostraram insuficientes. Em segundo lugar, a perspectiva falsificacionista de Popper, que Chalmers admite ser funcional até certo ponto, mas que levada a extremos ignora como se dá o desenvolvimento da ciência, que opera com o arbitrário. Em terceiro lugar, a renovação do pensamento de Popper por Lakatos, que distingue anomaliafalsificação, a primeira referente a questões que, idealmente, apenas de forma temporária obstaculizam a ciência, e a segunda aquilo que se constatou a posteriori que de fato não permitia a continuidade dela. O problema aí é que o sucesso de uma teoria sempre pode estar na próxima época — então não há “poder normativo” para se decidir entre teorias. Outro problema da visão de Lakatos é que seu modelo é a física — Chalmers mostra que esse modelo têm mudados com as épocas, ou seja, não é universal como se demandaria, e, por outro lado, não pode ser transferido para áreas, como as ciências humanas, que operam com objetos diferentes, por exemplo, não testáveis em situações laboratoriais.

Capítulo 3 – A Meta da Ciência

Após a negação de um conhecimento único oposto a um não-conhecimento, proposta de vários conhecimentos, com suas aplicações e alcances particular; dentre eles, o científico, que caberá definir a partir das metas que extraímos dele e da sua capacidade de atender a essas metas. Com isso, primeiro se estuda a meta de generalidade, assim como do desnível entre a generalidade prevista na teoria e o mundo concreto a que se aplica e que falha em descrever completamente. Esse estudo é desenvolvido desde os filósofos antigos (Platão e Aristóteles teriam dado respostas a esse problema, o primeiro restringindo o conhecimento ao mundo ideal, o segundo limitando a certeza a certo número de casos), matemáticos e cientistas pré-modernos (Euclides e Arquimedes, cujos conhecimentos não alcançam se aplicar a situações no “mundo real” e cuja generalidade não alcança situações que conhecemos hoje) e os fundadores da ciência moderna (Galileu, Bacon e Newton; a partir do primeiro, a generalidade pode ser fundamentada em situações experimentais; no segundo, a capacidade de ação sobre a natureza guia a descoberta; no terceiro, a matematização permite que a generalidade se estenda tanto ao passado quanto a situações imprevistas, o que dá seu poder. Outra meta é a de desenvolvimento constante, que substitui a busca, diz ele, utópica por uma certeza. A partir dessas metas, expostas de uma maneira bem geral, seria possível avaliar ciências que se deem os mesmos objetivos.

Capítulo 4 — A Observação Objetivada

Crítica do relativismo possível na noção de observação teórico-dependente, que insiste no que seria subjetividade dos fatos científicos, na medida em que dependeriam de condições psicológicas, culturais e históricas do observador, além dos pressupostos teóricos que toda observação comporta (inscritos, por exemplo, nos aparelhos de medição). Chalmers admite o último ponto — a crítica à teoria que subjaz à aferição dos dados, diz, deve ser contínua —, mas nega os exageros dos pontos anteriores, que exemplifica com uma exposição das ideias de Feyerabend. A objetividade é possível na medida em que se estabeleçam as condições em que os fatos são constatados (de tal modo que possam ser repetidos — e aperfeiçoados — por outros) e em que os dados assim constituídos sobrevivam a sucessivas testagens. O autor também analisa o argumento que mudanças psicológicas ao longo da história alterariam a percepção dos fatos, considerando que, sim, rupturas com métodos de pesquisa anteriores modificam o que é aceito como informação científica, porém as crenças psicológicas dos indivíduos são sobrepujadas pela referida persistência dos resultados sob a socialização e a sucessão dos testes. O capítulo discute essas ideias com uma descrição das atividades de Galileu que reforçaram a validade do sistema copernicano e estabeleceram o telescópio como uma ferramenta mais confiável do que o olho nu (padrão desde a Antiguidade) para as observações astronômicas.

Capítulo 5 — O Experimento

Discussão sobre os sentidos do experimento. Essa prática sobrepuja a percepção dos sentidos, por mais exata que seja, como referência para a ciência, mesmo que não alcance ser um fundamento certo para ela, pois que podem ser sempre revisados e reinterpretados. Os experimentos dependem tanto das condições de execução quanto das teorias que os informam; novas teorias darão significados distintos aos resultados de um experimento e melhores tecnologias ou ambientes controlados permitirão aferições mais apropriadas. O processo é móvel e não depõe contra a ciência: ele a constitui. A partir dessas ideias, Chalmers discute o falsificacionismo de Popper e o “relativismo cético” da sociologia da ciência. Mostra que Popper acaba reduzindo a eficácia de uma teoria às suas condições ótimas de teste, onde se podem encontrar regularidades o suficiente para que tenhamos “falsificadores potenciais” — no mundo fora do laboratório, sobrepõem-se demasiados determinantes, o que impede que qualquer contradição da teoria seja uma acusação forte contra a sua validade. Abordando depois Collins e outros sociólogos, aceita que haja pluralidade de opinião dos cientistas e que fatores externos à ciência possam interferir nos processos científicos, porém ressalta que o mecanismo em si da ciência funciona ao largo desses elementos; pela lógico científica se descartam ou aceitam experimentos e teorias, independentemente do que opinem os pesquisadores ou das influências exógenas. O seu argumento parte de um exemplo trazido por Collins, de uma proposta teórica abandonada em física que o teria sido não tanto pelo fim da questão, mas pelo seu esgotamento social e político. Chalmers aponta que, pelo contrário, a proposta caiu por sua própria ineficácia em angariar provas das suas afirmações e na medida em que era julgada por outras posições científicas já algo consolidadas.

Capítulo 6 — A Ciência e a Sociologia do Conhecimento

Aprofundamento do debate sobre a sociologia da ciência. Esses procuram mostrar que as bases do conhecimento científico não são absolutamente seguras, que a produção do conhecimento tem determinantes sociais e que não há superioridade do saber científico em relação a outras formas de saber (posições defendidas de forma mais ou menos radical pelos pesquisadores desse campo). Chalmers primeiro defende que esses sociólogos atacam uma versão “clássica” da ciência que é exagerada ou menos sofisticada do que se poderia encontrar. Assim, é possível alinhar as suas críticas a de filósofos da ciência como Popper e Lakatos, que defendem um estatuto epistemológico (sólido, processual, com critérios de qualidade distintivos) à ciência que é negado por essa sociologia. Outro problema da sociologia da ciência, segundo ele, é que suas explicações não são necessárias no que se refere aos aspectos cognitivos da ciência — pela meta de produção de conhecimento é possível compreender os procedimentos dos cientistas sem alusão a outros determinantes. Essas pesquisas podem ser aplicadas aos aspectos não-cognitivos (políticos, sociais) ou nos casos de desvio e de falha da ciência, mas não são exigidos para se entender porque a ciência funciona como deve funcionar, tendo em vista seus critérios e objetivos. Critica também a análise da ciência pelo ponto de vista da crença, pois não seria possível avaliar quais sejam as crenças dos cientistas e, de resto, não é necessário se referir a elas. Ressalta que não defende que a ciência está isolada de outros fatos sociais, mas que é possível entendê-la sem apelo a eles. Considera-se, ademais, também um sociólogo da ciência, na medida em que esse termo designe alguém que aponte a mobilidade históricas das práticas e das teorias que suportam os experimentos. Seria, assim, um sociólogo da ciência menos radical.

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