Na canção, escutar canções

Em intertexto, a letra de uma música engloba uma banda ou outra composição.


O músico narra uma noitada com amigos — na qual não consegue se encaixar —, e a volta solitária para casa, tudo sob a sombra de um relacionamento terminado. O que o momento pede? Ouvir Belle and Sebastian, pois “the circus boy is feeling melancholy“…

essa tarde eu vou sentar e ouvir Stiff Little Fingers

A referência à banda se soma às recordações do eu lírico (“lembra que a gente passava horas aqui falando de ex-namoradas?”). Ouvir este grupo é retomar aquele tempo.

let’s dance to Joy Division
and celebrate the irony:
everything is going wrong,
but we are so happy

let’s dance to Joy Division
and raise our glasses to the ceiling
‘cause this could all go so wrong,
but we are so happy
yeah, we’re so happy

É toda uma série de oxímoros: a situação de alegria, apesar dos problemas; a mistura de festa e banda triste. “Celebração da ironia” mesmo, e, também, a música como purgação, forma e expressão da superação.

Duanne Ribeiro é jornalista, escritor e pesquisador em ciência da informação e filosofia. Em jornalismo, formou-se pela Universidade Santa Cecília (Unisanta). É mestre em Ciência da Informação — com a dissertação “A Criatividade do Excesso – Historicidade, Conceito e Produtividade da Sobrecarga de Informação” —, bacharel em Filosofia pela Universidade de São Paulo e especializado em Gestão de Projetos Culturais pelo Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação (Celacc), ligado à USP. Publicou, pela editora Patuá, o romance As Esferas do Dragão (2019). É analista de comunicação para o Itaú Cultural e editor da revista Úrsula.
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