Screen Magazine

Sobre a Screen Magazine, revista desenvolvida por teóricos próximos ao Centro de Estudos da Cultura Contemporânea de Birmingham. O trecho vem do sexto capítulo de Dez Lições Sobre Estudos Culturais, de Maria Elisa Cevasco.

A conjunção da psicanálise lacaniana e do marxismo estruturalista de Louis Althusser animou um outro projeto de estudos culturais em torno da revista de cinema Screen. Financiada em seus primórdios pelo British Film Institute, a revista se dedicou, a partir dos anos 1970, à discussão do cinema de avant-garde e à promulgação das teorias que mais de perto ajudariam a transformar a análise de filmes baseada em gosto pessoal em uma ciência. Seguindo Althusser, pensavam a crítica cinematográfica como um “um processo sem sujeito”. Seu maior interesse era pela forma dos filmes: nesse aspecto seguiam a escola dos formalistas russos, para quem a forma e o estilo eram antes produtores do que meros veículos do sentido. Segundo Dworkin, “Screen considerava a forma nada mais do que a materialidade do significante e os filmes como práticas de significação, processos ativos da produção de significados em relação com seu público. Seu interesse maior era como essas práticas contribuíam para a reprodução da ordem vigente, em especial por meio da noção de interpelação (forma pela qual as práticas de significação constituem o público como sujeitos de um determinado tipo), de inspiração althusseriana e lacaniana. (…)

A ideia de tomar o cinema como um construtores de sentido em relação ao público me parece próxima da linha que usei na minha crítica de Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge. Não posso ter certeza, no entanto, porque não achei os arquivos da publicação na internet, e isso vai me demandar mais pesquisa — e ademais é distante pelo menos quanto aos referenciais psicanalíticos, de que não disponho.

Quem no Brasil ou no exterior, hoje, faz esse tipo de crítica? 
Duanne Ribeiro é jornalista, escritor e pesquisador em ciência da informação e filosofia. Em jornalismo, formou-se pela Universidade Santa Cecília (Unisanta). É mestre em Ciência da Informação — com a dissertação “A Criatividade do Excesso – Historicidade, Conceito e Produtividade da Sobrecarga de Informação” —, bacharel em Filosofia pela Universidade de São Paulo e especializado em Gestão de Projetos Culturais pelo Centro de Estudos Latino-Americanos sobre Cultura e Comunicação (Celacc), ligado à USP. Publicou, pela editora Patuá, o romance As Esferas do Dragão (2019). É analista de comunicação para o Itaú Cultural e editor da revista Úrsula.
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