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José Lira sobre a arquitetura de Gregori Warchavchik

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Resumo de leitura de

Ruptura e Construção
José Tavares Correia de Lira, 2007, Novos Estudos Cebrap

Lira pontua a formação, as influências teóricas e ideológicas, as condições em que atuou e a fatura da obra do arquiteto Gregori Warchavchik, ucraniano que se radicou no Brasil e se tornou um precursor da arquitetura moderna no país. O artigo traz uma perspectiva concisa das pesquisas de livre-docência e pós-doutorado realizadas pelo autor que se concretizaram no livro Warchavchik: Fraturas da Vanguarda, uma das obras de maior fôlego sobre essa figura. Na descrição feita por Lira, a trajetória de Warchavchik é marcada por rupturas que determinam o ambiente intelectual e delineiam o que seria o seu pensamento: separação da terra de origem (nascido em Odessa, Warchavchik chegou à juventude em um período no qual a região era avassalada por conflitos bélicos, políticos, étnicos); graduação em momento de renovação do ensino (o ucraniano estuda na Itália quando a educação da arquitetura passa a girar em torno da figura do “arquiteto integral”, grosso modo, que tivesse preocupações mais holísticas); atuação em um cenário de aperfeiçoamento disruptivo da construção urbana (tendo sido contratado pelo empresário Roberto Simonsen, foi imerso em um modelo que prezava pela produção sob critérios “científicos” [no sentido, entendo, de eficácia técnica e da administração de recursos] e antenado com os avanços estéticos em âmbito internacional); e inclusão no movimento modernista brasileiro (no qual encontrou uma rede de comunicação e para o qual se tornou a voz de que se precisava no campo de inovações arquitetura, “deficitário” na Semana de 1922). Lira ressalta: contrário ao que frequentemente se diz, Warchavchik não “traz” o modernismo da Europa ao Brasil; redescobre essa Europa modernista assim como devorada (para nos referirmos a Oswald de Andrade) pelos artistas brasileiros. Na seção final do artigo, o autor se dedica extensamente à Casa Santa Cruz, primeira obra modernista de Warchavchik, primeira cada modernista do Brasil. Ele indica nesse projeto que seu resultado é recheado de tensões, isto é, marcado tanto por tendências modernas quanto conservadoras, em um jogo que permite entrever a situação para exercício de arquitetura e da urbanização em contexto brasileiro, não só à época mas ao longo do seu desenvolvimento histórico.

Mais:

Entrevista com José Lira para a Ocupação Gregori Warchavchik

Publicação impressa da Ocupação Gregori Warchavchik

Metajornalismo

O Grande Desafio para o Jornalismo nas Eleições 2018

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Em sua coluna “Como Resistir em Tempos Brutos“, Eliane Brum apresentou alguns problemas com que o jornalismo terá de lidar no futuro breve:

Como se comportará a parcela da imprensa que apostou numa saída de centro (e não levou) deverá ser observado de muito perto neste segundo turno. Este também será o grande desafio para o jornalismo ou se fortalecer, mostrando o quanto é insubstituível numa democracia, ou então descer pelo ralo da irrelevância como nunca antes. Se a pauta jornalística servir para rearranjar os projetos de poder das empresas de mídia, acabou. Ainda falta uma autocrítica profunda de parte da imprensa sobre o seu papel no impeachment e já vem outro desafio muito mais intrincado. Vamos torcer para que a maior parte da imprensa se mostre à altura, porque o Brasil precisa muito de jornalismo sério.

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Da Odisseia: no Escuro da Noite Visão Tão Luzente

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Um trecho do canto IV da Odisseia, de Homero, em que a deusa Atena aparece, em sonho, sob a figura de uma amiga, à esposa de Odisseu, Penélope. A divindade lhe fala das ameaças que pairam sobre o seu filho, Telêmaco. É a primeira vez na história em que ela assume uma figura feminina para interagir com os humanos. A Odisseia é um dos grandes clássicos da literatura mundial. Saiba mais.

Tal como o leão, que se encontra indeciso no meio de gente,
cheio de medo, ao sentir que lhe apertam o cerco doloso:
vê-se Penélope, assim, té que o sono agradável lhe chega.
Dorme assim, pois, reclinada, que o sono descanso lhe infunde.

A de olhos glaucos, Atena, concebe outro plano engenhoso:
forma uma imagem de sonho, mulher parecendo na forma
e com feições da nascida de Icário magnânimo, Iftima,
que com Eumelo é casada, morando eles ambos em Feras.
Essa visão ao palácio do divo Odisseu manda logo,
por que consolo levasse à tristeza da aflita Penélope
e conseguisse pôr termo aos soluções e ao pranto copioso.
Pela correia do fecho na câmara entrar pôde logo;
paira-lhe sobre a cabeça e lhe diz as seguintes palavras:

“Dormes, Penélope, com a coração por tal modo angustiado?
Não te consentem os deuses, que vivem feliz existência,
tanto chorar e afligir-te; ao teu filho ainda destinado
vir de tornada, porquanto ele em nada ofendeu aos eternos”.

Disse-lhes, então, em resposta Penélope muita sensata,
dês da soleira do sono, imergida em torpor muita suave:

“Mana querida, a que vens até aqui? Pois não é teu costume
vir visitar-me, em virtude da grande distância em que moras.
Mandas-me, agora, que cesse de vez com suspiros e dores,
Cedo meu nobre marido perdi, de coragem leonina,
que era entre os Dânaos notável por grandes e raras virtudes,
e cuja fama atingia toda a Hélade, até o centro de Argos.
Ora meu filho querido partiu no navio bojudo,
ainda criança, ignorando os trabalhos e arengas nas praças.
Por seu destino me aflijo ainda mais que por causa do esposo.
Tremo por ele e me inquieto; não vá acontecer-lhe algum dano,
quer em viagem, quer mesmo entre as gentes onde ora se encontra.
Muitos malvados contra ele planejam insídias sem conta,
com intenção de matá-lo antes que ele reveja o palácio”.

O pouco claro fantasma de Iftima lhe disse, em resposta:
“Ânimo! Cessa de tanto afligir com receio o peito.
Serve-lhe de companhia a que todos os homens desejam
ter ao seu lado qual deusa assistente — por ser poderosa —
Palas Atena, que se compadece do teu sofrimento.
Dela aqui venho a mandado, por que tudo, enfim, te contasse”.

Disse-lhe, então, em resposta, Penélope muito sensata:
“Se és uma deusa, de fato, e de um deus as palavras ouviste,
vamos, então me revela o destino infeliz daquele outro,
se ainda com vida se encontra e as delícias da luz ainda enxerga,
ou se é já morto, talvez, e na de Hades estância demora?”

O pouco claro fantasma de Iftima lhe disse, em resposta:
“Nada te posso dizer, com certeza, a respeito desse outro,
se é vivo ou morto; de nada nos serve falar aereamente”.

Tendo isso dito, esvaeceu-se o fantasma, qual sopro de vento,
pelo ferrolho da porta. A de Icário nascida desperta
logo do sono. Seu peito outra vez de alegria se aquece,
por lhe ter vindo no escuro da noite visão tão luzente.

Metajornalismo

Mudanças de Estrutura na Crítica Literária dos EUA

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New York Magazine perfilou a crítica literária Michiko Kakutani, por ocasião da sua saída da equipe do New York Times, jornal em que atuou por 38 anos (acesse seus textos). Não conhecia a autora — aprendi que ela se enquadra na figura do crítico temido no meio, cujas avaliações podem consagrar novatos ou levar abaixo estrelas da área (no Brasil, isso se aplica a nomes como Barbara Heliodora, para o teatro, e Aracy Amaral, para as artes visuais). A matéria é interessante não só por dar alguma noção de como Michiko trabalha como por delinear as modificações nas maneiras de fazer jornalismo cultural nos Estados Unidos.

A crítica é elogiada pela sua operosidade (se adequa a outro elemento da mitologia jornalística: escreve artigos com perspectivas únicas e com consistência em pouco tempo) e pela sua capacidade de “sintetizar muitas correntes tanto da cultura como da política”. Um dos motivos de sua saída, aliás, foi por não terem lhe permitido se tornar uma colunista de política (pelo que parece, a separação entre opinião e informação é estrita assim no NY Times). Michiko deixa o jornal também para se dedicar mais ao livro The Death of Facts, uma “história cultural dos ‘fatos alternativos'”. Podemos imaginar que tratará com profundidade de fake news e pós-verdade. A ver.

***

Quanto às mudanças na crítica literária, destacam-se três mudanças:

Meanwhile, the Times became a tougher place for critical gods. Lone wolves hurling thunderbolts from their garrets gave way to affable co-critics doing online chats, Times Talks, and video clips, writing personal essays and exploring their own biases. (…)

O crítico deixa de ser um “lobo solitário”. É pedido a ele que seja mais pessoal, não só nos textos quanto interagindo diretamente com o público. Talvez por isso a Atlantic tenha artigos que são como mesas redondas entre seus críticos e a Los Angeles Review of Books traga textos entre depoimento e ensaio no seu Dear Television (ambos os exemplos linkados são da cobertura de Game of Thrones). A postura dialógica, porém, não é única dos nossos tempos: diz-se que as críticas teatrais de Décio de Almeida Prado são marcadas por isso.

Também a hierarquia da produção se transformou:

Lead critics are going out of style across the paper; there are now “co-chief critics” in art, theater, and film, and after Kakutani’s departure, no book critic will have the right of first refusal. (…)

Michiko podia escolher, antes dos demais, quais livros gostaria de resenhar. De acordo com quem trabalhava, isso gerou mais ou menos dificuldades de conciliação. De todo modo, esse privilégio deixa de ser uma possibilidade na redação. A distribuição dos livros passa a ter, além disso, um direcionamento maior dos editores, para evitar retrabalho e direcionar esforços. Nesse sentido:

Critics now meet with editors to brainstorm new elements and submit their pitches to the will of the collective. It’s a sea change for the daily, where critics had barely interacted with either editors or each other, and where, per two sources, Kakutani had sometimes been allowed to choose her editors and even copy editors.

Isto é, há um componente colaborativo mais intenso na criação das críticas. A autonomia do crítico se torna menor — torna-se? O isolamento (palavra propositadamente negativa) era mesmo benéfico? Ganha-se mais trazendo as ideias estéticas ao debate?

Crônicas

O Prefeito Daqui

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“Ó o tamanho do tumor. Ó: a tela inteira”, equilibrando-se no corredor do metrô com as pernas afastadas, o homem — camisa de botão roxa, calça cáqui, cabelo só ao lado das orelhas — estendeu o celular a uma mulher sentada. Então pegou a menina de três anos, loirinha, serelepe, que estava agarrada às suas pernas, a virou de costas e apontou: “Aqui o curativo”, aí apertando a bunda dela pra mostrar que tinha curativo mesmo debaixo da calça, e completando: “Uma injeção mal dada”. Ele fez a baldeação comigo da linha verde à linha azul; no metrô anterior estava contando a um sujeito que passara um produto químico na cabeça que lhe dera câncer (?), “caiu cabelo, caiu sobrancelha, caiu tudo” (quanto ao rapaz, disse, não havia perigo de ficar careca: não tinha entradas). Também explicou que não era daqui, era do interior de Minas, me esqueço a cidade agora; estava deslocado, afirmou, estava “perdido como pinto na granja” (não sei bem se foi “granja” o termo, mas era quase isso, um lugar onde um pinto provavelmente não estaria tão perdido). Depois que viemos ao outro trem ele prosseguiu contrariando a etiqueta do tédio da urbe e interagindo com desconhecidos. Mas no caso daquela mulher sentada havia um motivo especial para isso. Ela lhe fizera “o primeiro gesto de carinho que teve em São Paulo”. Isto é, levantou para que os seus filhos (mais dois, além daquela, sendo que um é “gêmeo com ela”) sentassem, além de dar uma folha de lenço umedecido para que um deles limpasse a mão. “O primeiro gesto de carinho aqui em São Paulo, em dois meses. Parabéns”. Parece que vem para a capital com alguma frequência; traz os filhos à quimioterapia. “O prefeito daqui”, se exaltou, “cortou a ambulância que trazia a gente da nossa cidade pra cá. Muito caro”. Era a segunda vez que eu ouvia falar de João Doria — o anti-Lula, segundo manchete da “Isto É” — hoje; a primeira foi a notícia da sua mais recente performance, estava erguendo bandeiras em alguma avenida para inspirar civilidade. “O prefeito daqui cortou a ambulância, não só da gente como de catorze famílias”. O homem descreveu toda a complicação que têm de fazer para virem ao médico agora, não sou capaz de reproduzir. “Sabe quando essas crianças vão comer?”, disse, a menina agarrada à sua perna, jogando a cabeça para trás, brincante, ele mostra o outro com a cabeça: “Ele está comendo agora porque o moço deu uma bolacha. Eles só vão comer quando a gente chegar no Tietê pra voltar pra casa. Às três e meia da manhã!”. Vai levando a filha a uma cadeira enquanto eu desço na Sé. “Sabe quando essa criança tinha de ter tomado banho? Faz quatro horas!”.

Estudos

Pesquisadores x Cientistas

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Ernane Xavier, diretor do Laboratório de Física Aplicada e Computacional da Universidade de São Paulo, propôs uma distinção possivelmente fecunda entre pesquisadorescientistas:

(…) é razoável pensar que na universidade existem os pesquisadores, aqueles que usam o método científico e formam pessoas, publicam artigos, lecionam e executam tarefas administrativas e de gestão, e existem os cientistas, que são aqueles que dentro da universidade realizam as mesmas tarefas que os pesquisadores mas que não se limitam às verdades absolutas e observam o mundo como que cercado por paradigmas a serem transpostos, e que, para estes, a natureza é um livro escrito em uma linguagem que não compreendemos, e têm a humildade de admitir que o pouco que sabemos deste livro é apenas uma tradução mal feita.

O trecho é algo obscuro, mas no contexto do texto (“Negros escravos cientistas e seus descendentes brasileiros esquecidos“) a conceituação se torna clara: de um lado estão profissionais contratados, do outro está uma capacidade humana geral — que os profissionais, é claro, possuem e praticam — de “engenhar”, de solucionar problemas. Talvez uma maneira mais simples de captar o sentido do que o autor diz é pensar em pesquisadores/cientistas e inventores, já que essa última palavra é mais larga e não se prende tanto a institucionalidades.

Com esse procedimento, Ernani consegue recuar a existência de cientistas negros já à população escravizada, por sua criatividade na luta contra as agruras cotidiana: “Ou seja, o cientista não precisa estar dentro de uma universidade e a ciência não pertence a um grupo específico. Neste contexto, sim!, muitos escravos foram cientistas e vislumbraram o paradigma da liberdade de forma metódica e muitas vezes técnica”. O objetivo disso no texto é por em perspectiva a notícia “Jovem negra de escola pública passa em primeiro lugar no vestibular mais concorrido do país“, dizer: há mais ao longo de toda a história negra do que esses assombros jornalísticos.

***

É curioso perceber como a distinção pesquisador e cientista feita por Ernani vai na contramão da concepção de universidade que começa a ser desenvolvida a partir do fim do século XVIII. Como lemos em Organizing Enlightenment: Information Overload and the Invention of the Modern Research University, de Chad Wellmon:

Around 1795, scholars at the University of Jena, a hotbed of post-Kantian thought, added another dimension to these projects when they began to offer annual, encyclopedic lectures courses for students of all faculties. Their courses were designed to introduce students not to a specific science, or even the relationship among various classes of sciences, but rather to the particularly scientific character of what they considered authoritative knowledge. The main conclusion of there encyclopedic lectures was that the character of science could not be detached from the character of the scholars. [grifo nosso, p. 96]

Aqui, a ciência só é realizada por pesquisadores. Uma das palestras que avançou ideias do tipo foi, ainda segundo Wellmon, a de Johann Heinrich Gottlieb Heusinger, que via na enciclopédia — entendida como ciclo de aprendizado — “an ethical technology designed to form students into particular type of scholars”. Com isso, procurava combater “an ignorance of what ‘science is, and how the man of science (the scholar) distinguishes himself from other people, who don’t at all lack knowledge’” [p. 98]. O pesquisador é definido em oposição ao homem médio, a quem de todo não falta conhecimento, mas a quem faltaria o caráter necessário ao pensamento científico.

Crítica Cultural
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[Azure Dreams (1998), Playstation] “Você fez bem: é um menino”. Sou surpreendido por essa expressão do machismo logo no primeiro diálogo. (Embora alguém possa me dizer que essa é uma crítica anacrônica, dada a inspiração medieval do jogo). Não há opção de jogar como menina.

Crítica Cultural

Uma Corrente Estranha

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[Almas Mortas, Nikolai Gogol, página 76, Nova Cultural, 2003] “Mas por que será que, no meio dos momentos mais leves, alegres e despreocupados, ás vezes surge por si mesma uma corrente estranha? O riso ainda nem teve tempo de se apagar do nosso semblante, e já nos transformamos em outro, entre as mesmas pessoas, e já é outra a luz que ilumina o nosso rosto…”

Crítica Cultural

A Aventura Ressignifica o Mundo

Publicado em

CV5vS

Publiquei no Digestivo Cultural a crítica O Hobbit – A Desolação de Smaug, sobre o segundo filme da trilogia de Peter Jackson sobre o livro de J.R.R. Tolkien. Eu escrevi:

De fato, não é só uma “adaptação”: Jackson reinventa a história. Traz novos personagens e novo direcionamento. Para o crítico, isso basta para reduzir a história à megalomania criativa de um fã com acesso à Hollywood. Mas basta? Esta coluna quer defender a autonomia de cada obra, até que vejamos qual é a diferença fundamental, não cosmética, entre elas. Adianto a conclusão: em Tolkien nos fascina a simples aventura; em Jackson nos sufoca um Destino.

Este texto conta com uma versão em inglês, publicada no MediumAdventure re-signifies the world.

Jornalismo

Brutalidade Técnica

Publicado em

AHS

Publiquei no Digestivo Cultural a crítica American Horror Story: Asylum, sobre a série televisiva com esse título. Eu escrevi:

A segunda temporada de American Horror Story (subintitulada Asylum), série competente de terror exibida pelo canal a cabo FX, traz duas ideias interessantes, ou melhor, seu roteiro é fundamentado em duas noções. Primeira, a de que o saber é uma forma de poder: o conhecimento sobre como as coisas “são” ou “devem ser” permite dispor veredictos sobre as pessoas, incluir, excluir, destruir, isolar. O ambiente da história é um manicômio na primeira metade do século XX – exemplo sempre mais do que intenso de como palavras que ostentam técnica e trabalho podem esconder cegueiras: medicinapsiquiatriasegurança pública. Segunda, a de que o “mal” é constituído também por uma fragilidade, isto é, atrás da brutalidade, há carência, frustração, descompasso. De certa ótica, ambas são a mesma: a força esconde a fraqueza, a fraqueza gera a força.