Destaques

Como fica a literatura na pandemia?

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Com falas de Vitor Tavares, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL); Mauro Munhoz, diretor artístico da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip); Beatriz Azevedo, diretora do projeto p-o-e-s-i-a.org; e André Sant’Anna, escritor, filho do também escritor Sérgio Sant’Anna, publiquei no site do Itaú Cultural uma reportagem sobre os efeitos da pandemia sobre a literatura e quais perspectivas temos para a criação literária nesse momento. A matéria aborda mercado literário, eventos do setor, migração para o digital e projetos de apoio à área, além do depoimento de André sobre o pai, que morreu de covid-19. A certa altura, Beatriz dá o tom do panorama:

A pandemia revolucionou as comunicações e outros comportamentos do cotidiano. Qualquer cenário será influenciado pelas atitudes que vamos tomar hoje. Mesmo quando houver uma vacina, sempre haverá o risco de outro vírus de proporções semelhantes ocorrer, ou ainda outros acontecimentos inesperados. Por essa razão é tão importante perceber que a pós-pandemia é agora, ou seja, este momento ‘pós’ está sendo construído. Muitas vezes esquecemos disso e deixamos a esperança ou o pessimismo em relação ao futuro vencerem a racionalidade. Mais do que nunca é preciso estar com os pés no presente.

Entre os diagnósticos trazidos no texto, destaco uma passagem de Vitor, em que ele define uma tarefa para quem se interessa pela democratização e o incentivo à literatura no Brasil. Ele

reafirma a tarefa de fortalecer o mercado literário. “Temos de continuar fazendo ações – tanto o governo como nós, profissionais do setor – para desenvolver o hábito e o prazer da leitura. Se você desenvolve isso, principalmente nos jovens e nas crianças, você vai formando leitores”. Formar leitores, insiste ele, é a condição da solidez e ampliação da área: “Se em um espaço de cinco, seis, dez anos, a gente conseguisse dobrar esse índice [de dois livros por pessoa ao ano], a gente teria de dobrar a produção literária, a gente iria precisar de mais autores, mais editoras, mais gráficas, mais plataformas para disponibilizar as obras”.

No site do Itaú Cultural, essa reportagem pode ser posta junto a outras, como “Como construir um Brasil mais leitor?” e “Quinta edição da Retratos da Leitura conclui fase de entrevistas“, que, apesar de ter envelhecido (a Retratos sairá em breve), ainda tem interesse, pois qualifica de rostos o que seriam só números: acompanhei a pesquisa casa a casa e falei com os personagens.

Jornalismo

Poético, Político, Pedagógico: “Desertores”

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Publiquei no site do Itaú Cultural uma entrevista com o diretor de teatro Márcio Marciano, do Coletivo Alfenim, sobre a sua peça Desertores. Adaptação de dramaturgias e textos reflexivos pouco conhecidos de Bertold Brecht — o chamado Complexo Fatzer —, busca de um teatro que seja ação pedagógica e comentário político a um só passo, o espetáculo, ainda em processo de testes, seria exibido ao público pela primeira vez no fim de agosto.

De acordo com o projeto brechtiano, o Alfenim constrói um trabalho cujos objetivos são tanto estéticos quanto políticos e pedagógicos. “Acredito que um espetáculo atinge seu objetivo”, fala Márcio, “quando oferece ao público, de forma lúdica e prazerosa, elementos para a construção de um pensamento crítico acerca de sua condição”. Esse direcionamento marca a trajetória do coletivo, que “procura refletir sobre os aspectos contraditórios de nossa formação social. Nesse sentido, Fatzer nos ajuda a desvelar os mecanismos da ordem capitalista e os mascaramentos atuais da luta de classes”. Porém, ressalta ele, tudo isso “não deve ser buscado em detrimento do caráter artístico. A pedagogia no teatro somente se realiza enquanto fruição estética”.

Esse alerta final parece responder a uma objeção sempre implícita quando a arte se envolve com a política: nesses casos, não se degrada ela em panfleto? Há alguns anos, eu levei essa questão ao dramaturgo João das Neves — falecido em 2018 — que apresentou posição similar a de Márcio: “O panfleto tem uma eficácia imediata. Ele é feito pra morrer. Já a obra de arte pretende atingir uma profundidade muito maior, ultrapassa o seu momento específico”.

Márcio e João, ambos envolvidos com o teatro épico, estão afinados nesse sentido.

Essa foi minha segunda reportagem sobre uma peça de Brecht — antes, conversei com José Regino, diretor do Teatro Experimental de Alta Floresta, sobre Santa Joana dos Matadouros. Como vimos, Márcio fala dos “mascaramentos atuais da luta de classes”. Por sua vez, José diz:

Parece que estamos fadados a esse eterno antagonismo entre as classes e a palavra-chave que mantém esse conflito é lucro. (…) Hoje podemos falar de direitos das classes menos privilegiadas, garantidos por leis, mas, enquanto o lucro reger as relações sociais, as estruturas estabelecidas não mudarão. Por mais acesso que tenhamos às informações, continuamos controlados por um sistema que sobrevive na base da exploração da mão de obra de quem serve por quem é servido.

É interessante que o Alfenim ressalte o tornar evidente algo que se esconde (“mascaramentos”) e, o Teatro Experimental de Alta Floresta, a evidência de um inimigo estrutural (o sistema baseado em exploração) e de um móvel central (o desejo de lucrar) estão claros. Abordam o mesmo objeto, mas parece que ele se dá como problema de formas diferentes. Respectivamente, são matérias de 2019 e 2014 — diferentes Brasis explicam essa mudança de foco?

Leia a reportagem completa.

Jornalismo

Homens Pink: Entender a si, o outro, a sociedade

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Publiquei no site do Itaú Cultural uma entrevista com o ator, diretor de teatro e documentarista Renato Turnes — um dos criadores da companhia La Vaca —, sobre o processo de criação do espetáculo e documentário Homens Pink, cujo tema central é o envelhecimento pela ótica de homens gays. Para elaborar o projeto, Renato parte tanto de depoimentos que recolheu de indivíduos dessa faixa da população quanto de questionamentos que ele mesmo passou a se fazer sobre o seu passado e o seu futuro; com 45 anos, vê-se em uma idade intermediária. A partir disso,

“comecei a me lembrar de pessoas que, na minha juventude, quando comecei a sair, a frequentar os ambientes gays, já eram caras mais velhos e a pensar: onde elas estão? Por que essas pessoas desaparecem?”. Essa “invisibilização gradual”, aponta Renato, não apenas é uma “característica de como a nossa sociedade trata o envelhecimento”, como também depõe em particular sobre uma mentalidade que ele percebe no meio LGBT: “Sinto que existe na comunidade certa ausência de reverência, de memória e de respeito em relação a quem veio antes e abriu os caminhos para o pensamento identitário”.

Significativos os passos que ele atravessa: de uma avaliação individual, recupera personagens da sua memória, identifica algumas tendências sociais e daí se volta outra vez ao individual, agora de forma plural, nas entrevistas que fez. Parece estar implícito aqui que entender a si é entender o outro e é entender a sociedade. Entendimento que não deixa de entrever a possibilidade de uma ação política. Isso transparece também nesse outro trecho:

O que guia o contato com essas falas é o desejo de “entendê-las e respeitar seus pontos de vista – que muitas vezes são diferentes dos de uma pessoa LGBT jovem, porque [os entrevistados] foram moldados em outra época, com outro tipo de visão”. Com essa preocupação procura-se, diz o diretor, deixar aberto o espaço de diálogo – ato que, ele ressalta, tem um potencial político, que é o “de entender a nossa história como comunidade, enfatizar a irmandade. Quem é do meio sabe como somos divididos”.

Criar arte é compreender a si e é compreender o outro e é intervir socialmente? Essa linha está dada em Homens Pink.

Leia a reportagem completa.

 

Jornalismo

Publicação Impressa da Ocupação Gregori Warchavchik

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Fiz a edição desta publicação impressa para a exposição Ocupação Gregori Warchavchik, com textos que apresentam e aprofundam a trajetória do arquiteto, pioneiro do modernismo brasileiro. Escreveram para o livreto a repórter Mariana Lacerda e as pesquisadoras Luciana Itikawa e Anat Falbel. O design é de Helga Vaz.

Jornalismo

Ocupação João das Neves

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Site para a exposição Ocupação João das Neves, no Itaú Cultural, em São Paulo, de setembro a novembro de 2015. Pesquisa e entrevistas são minhas, de Claudiney Ferreira e de Thiago Rosenberg; redação e edição, minhas e do Thiago. A produção das entrevistas é de Caroline Rodrigues. Os vídeos foram gravados por André Seiti e Karina Bonini Fogaça, que também editou o material. Edição e captação de áudio de Tomás Franco, com participação de Ana Paula Fiorotto. Visite.

Jornalismo

As Bicicletas de Iberê

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Consultoria para a exposição virtual As Bicicletas de Iberê Camargo. O site oferece um passeio pela produção deste artista visual a partir de 1980, com foco em elementos figurativos fundamentais da sua obra no período: a bicicleta e o ciclista. Reproduções das telas (algumas com zoom detalhado), vídeos com Iberê, entrevistas com outros artistas e pesquisadores, além de trechos de textos críticos são os atrativos do site. A curadoria é do núcleo de Artes Visuais do Itaú Cultural; Gaspar Arguello fez o design (com consultoria de Jader Rosa) e a programação. Colaborei com a arquitetura de informação, produção de conteúdo e análise de usabilidade.

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Entrevistas

Grupo Bagaceira: Poesia para um Tema Espinhoso

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Publiquei no blog Fale com Arte, do Itaú Cultural, a entrevista “Meire Love: Inocência Pisada“, com o grupo Bagaceira de Teatro. O elenco — formado por Yuri Yamamoto, Rafael Martins e Rogério Mesquita — fala sobre o ideário, o processo criativo e o impacto, principalmente neles próprios, da peça Meire Love, que trata de crianças vítimas de exploração sexual. Eles disseram:

Uma coisa interessante da arte, do teatro, é voltar o olhar para algo. Já que a realidade não sensibiliza mais, pelo menos o olhar artístico pode mexer de alguma forma. Em um momento de entretenimento, como o do teatro, em que a pessoa vem pela diversão, ela chega e vê algo que desvia o foco da sua atenção por um minuto, por um segundo, até por alguns dias. Pensa: “Ah, é, tem isso mesmo, acontece…”. Vê uma morte em cena e se choca: “Porra! O cara matou em cena…”. A arte, o teatro fazem abrir um pouco a reflexão.