Crítica CulturalDossiê de Traços e Tropos

A Vítima Encarcerada na Pintura

O vilão reduz seus alvos a figuras no interior de representações artísticas. O quadro funciona, assim, como túmulo ou como prisão. Duas parecem ser as potências desse recurso: primeira, o oximoro: a presença de algo vivo em algo “morto” (a tela); segunda, o sofrimento forçosamente silencioso, a trágica incapacidade de pedir ajuda.

No início do filme, conta-se a história de uma menina sequestrada pelas bruxas, que é aprisionada em um quadro. Na casa pintada, antes vazia, agora aparece um garota à janela, como se sempre estivesse estado lá. Tudo indica, a cativa vive toda a sua vida no quadro: conforme o tempo passa, aparece como jovem, adulta, idosa — e então some.

Uma das personagens, Josephina, entra em uma galeria de arte que de repente se faz visível na sua proximidade. Enquanto caminha, derretem os quadros atrás de si; a tinta corre o chão, sobe por suas pernas, mescla-se à sua pele, recobre seu corpo, até o rosto, de cor. Por último a vemos como uma efígie em um grafite na parede onde deveria estar a porta da galeria. Feita ilustração, tem a boca aberta, paralisada no ato do grito.

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