Alguns materiais que me chamaram a atenção mês passado:

Leis contra discurso de ódio são usadas para punir opiniões de esquerda na Europa, por Gleen Greenwald, em The Intercept Brasil — uma análise de como a luta contra a disseminação de discursos discriminatórios foi institucionalizada e, na Europa, acaba servindo à perseguição de ideias contestatórias ao estado. A ideia é: sim, talvez seja preciso inscrever na lei o combate ao ódio — mas, o sucesso nessa seara dá a quem estiver no poder a chance de decidir o que suprimir.

A black man went undercover online as a white supremacist. This is what he learned, por Peter Holley, no Washington Post —  o poeta Theo Wilson relata sua experiência de “infiltração” em grupos racistas online. A partir dela, denuncia uma certa incompreensão por pessoas que não são extremistas, mas tem a necessidade de manter suas tradições; e defende conversas cara a cara, de modo a dissolver a sensação de segurança e inconsequência provida pela internet.

A mad world: capitalism and the rise of mental illness, por Rod Tweedy, na Red Pepper — as conexões intrínsecas entre o neoliberalismo e o capitalismo, de um lado, e o crescimento internacional dos casos de transtorno mental. A interpretação recorre a Marx, identificando no fetichismo da mercadoria (sequestro da agência humana pelos objetos) a fonte de um esvaziamento da experiência, que levaria à neurose e outros distúrbios. Cita uma nova corrente, um “neuromarxismo”, sobre o que devo pesquisar mais.

‘Fui presa por contar uma piada’: os milhões levados aos gulags pela repressão soviética’: os milhões levados aos gulags pela repressão soviética, por Sarah Rainsford, no UOL Notícias/BBC News — depoimentos de sobreviventes dos gulags em uma reportagem sobre a construção de um monumento à memória daqueles que morreram sob o terror de Stálin. O relato que dá título à matéria é particularmente interessante, porque é muito próximo à premissa de A Brincadeira, de Milan Kundera: também um regime totalitário, também um gracejo que decide uma vida.

Bala Perdida, por José Cícero da Silva, na Públicaminidoc sobre os mortos por “bala perdida” no Rio de JaneiroBala perdida entre aspas porque, como diz, no vídeo, Raull Santiago, do Coletivo Papo Reto, como pode ser perdida, se as balas têm destino certo, isto é, as favelas? Isso sem falar nos incidentes dissimulados de execuções feitas pela polícia. O vídeo é triste e contundente. Pertinente: este perfil, por Tiago Coelho, na piauí, sobre um professor carioca que teve de criar sua cartilha para guiar os alunos durante tiroteios.

US has regressed to developing nation status, MIT economist warns, por Chloe Farand, em The Independent — com o crescimento da desigualdade e com uma parcela cada vez menor da população capaz de ascensão social, os Estados Unidos teriam regredido ao estado de um país de terceiro mundo. Pode ser lido junto com este artigo de David Leonhardt no New York Times, que demonstra como o “sonho americano”, a doutrina segundo a qual que cada geração teria condições de vida aperfeiçoadas e em relação à anterior, não é mais uma perspectiva para metade da população americana.

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